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Como Foi Minha Experiência Passando 7 Dias na Região da Ligúria, na Itália

Uma viagem pela Ligúria que me mostrou que algumas das melhores experiências da Itália acontecem longe dos roteiros tradicionais.

12 min de leitura
Vista da costa da Ligúria, na Itália, com vilarejos coloridos entre montanhas e o Mar da Ligúria.

Existem viagens que ficam na memória pelas atrações famosas.

Outras ficam pelas pessoas.

Algumas permanecem pelo sabor da comida.

Mas há viagens que mudam completamente a forma como enxergamos o ato de viajar.

Foi exatamente isso que aconteceu comigo quando passei sete dias explorando a região da Ligúria, no norte da Itália, em 2018.

Na época, eu não imaginava que aquela viagem seria uma das experiências que mais influenciariam minha maneira de conhecer novos lugares. Sem perceber, eu já estava vivendo aquilo que hoje chamamos de Slow Travel: viajar sem pressa, observando detalhes, caminhando bastante, conversando com moradores e permitindo que cada lugar tivesse seu próprio ritmo.

Quando pensamos na Itália, normalmente vêm à cabeça cidades como Roma, Veneza, Florença ou Milão.

Mas existe uma Itália completamente diferente entre montanhas, pequenas vilas coloridas e um litoral que parece ter sido desenhado à mão.

Essa é a Ligúria.

Uma faixa estreita de terra espremida entre os Alpes e o Mar da Ligúria, onde praticamente todas as cidades parecem ter aprendido a conviver em perfeita harmonia com a geografia.

Durante sete dias percorri parte dessa região, conheci Gênova, visitei pequenos vilarejos costeiros, caminhei por ruas medievais, observei o cotidiano dos moradores e percebi algo curioso: a pressa simplesmente desaparecia.

Hoje, olhando para trás, entendo que essa viagem não foi apenas sobre conhecer novos lugares.

Foi sobre aprender uma nova forma de viajar.

Por que escolhi a Ligúria?

Quando comecei a planejar essa viagem, confesso que a Ligúria não era meu principal objetivo.

Como muitos brasileiros, eu também imaginava visitar apenas os destinos mais conhecidos da Itália.

  • Roma
  • Florença
  • Veneza
  • Talvez Milão

Mas, conforme fui pesquisando, comecei a perceber que existia uma região pouco comentada pelos brasileiros, mas extremamente valorizada pelos próprios italianos.

A Ligúria aparecia constantemente em relatos de quem buscava uma Itália mais autêntica.

  • Menos filas
  • Menos turismo em massa
  • Mais moradores do que turistas
  • Mais mercados locais
  • Mais cafés de bairro
  • Mais pequenas praças onde crianças brincavam enquanto idosos conversavam durante horas

Era exatamente esse tipo de experiência que eu procurava.

Hoje percebo que essa decisão mudou completamente a viagem.

A primeira impressão ao chegar

Existe um momento que sempre marca qualquer viagem.

A primeira impressão.

No meu caso, foi quando comecei a observar pela janela do trem a paisagem mudando completamente.

As cidades grandes ficaram para trás.

Os edifícios deram lugar a montanhas.

Depois vieram pequenos vilarejos.

Em seguida apareceu o mar.

E então começou aquela sequência quase interminável de túneis escavados nas montanhas.

A Ligúria tem uma geografia muito particular.

Em muitos trechos, a montanha praticamente encontra o mar.

Por isso as estradas e as ferrovias atravessam dezenas de túneis ao longo da costa.

A cada poucos minutos o cenário mudava completamente.

Você saía de um túnel e encontrava uma vila colorida.

Entrava novamente em outro túnel.

Depois surgia um pequeno porto de pescadores.

Em seguida apareciam penhascos.

Era uma viagem bonita até mesmo antes de chegar ao destino.

Gênova: uma cidade que me surpreendeu

A primeira grande surpresa da viagem foi Gênova.

Confesso que eu sabia muito pouco sobre a cidade antes de chegar.

Talvez justamente por isso ela tenha me impressionado tanto.

Gênova não tenta parecer perfeita.

Ela não foi construída para turistas.

Ela continua sendo uma cidade onde as pessoas vivem.

Isso faz toda a diferença.

Enquanto outras cidades italianas têm áreas históricas muito organizadas para receber visitantes, Gênova mantém um certo caos que a torna extremamente interessante.

As ruas estreitas do centro histórico parecem um labirinto.

Você anda poucos metros e encontra uma igreja centenária.

Logo depois surge uma pequena praça.

Na esquina seguinte existe uma gelateria escondida.

Mais adiante aparece uma padaria com focaccias recém-saídas do forno.

É impossível caminhar por Gênova olhando apenas para o celular.

A cidade obriga você a levantar os olhos.

O centro histórico parece um filme

Uma das coisas que mais me marcou foi caminhar sem destino.

Hoje vejo que esse foi um dos momentos mais “Stradello” da viagem.

Eu simplesmente escolhia uma rua.

Depois outra.

Depois outra.

Sem roteiro.

Sem horário.

Sem preocupação em “aproveitar ao máximo”.

Essa liberdade fez com que eu descobrisse lugares que provavelmente nunca apareceriam em um guia turístico.

  • Pequenas livrarias
  • Praças escondidas
  • Igrejas centenárias
  • Restaurantes frequentados apenas por moradores
  • Varais nas janelas
  • Senhores conversando nas portas dos prédios

E sem contar os deliciosos chelattos que eu pude encontrar em pequenas ruelas enquanto me perdia pelas ruazinhas.

Era impossível não sentir que aquela cidade tinha uma personalidade própria.

Muito diferente da imagem clássica que normalmente fazemos da Itália.

Descobrindo o verdadeiro ritmo italiano

Uma das maiores lições dessa viagem foi perceber que os italianos parecem ter uma relação diferente com o tempo.

Não estou dizendo que ninguém trabalha ou que tudo acontece lentamente.

Mas existe um equilíbrio que dificilmente encontramos em muitos outros lugares.

As pessoas param para tomar um café sem olhar o relógio.

Conversam longamente durante o almoço.

Sentam em bancos de praça apenas para observar o movimento.

Entram em pequenas mercearias para conversar com o dono.

Parecem entender que viver também faz parte da rotina.

Foi impossível não comparar esse estilo de vida com a correria que tantas vezes levamos no Brasil.

Talvez tenha sido ali que comecei, sem perceber, a mudar minha própria forma de viajar.

A focaccia da Ligúria merece toda a fama

Antes da viagem eu já havia lido que a focaccia era uma das grandes especialidades da região.

Mas nenhuma descrição faz justiça ao que é experimentar uma focaccia feita na própria Ligúria.

Ela está em praticamente toda esquina.

  • Padarias
  • Pequenos cafés
  • Mercados
  • Lojas familiares

Cada estabelecimento tem sua própria receita.

Algumas são extremamente macias.

Outras têm uma crosta mais crocante.

Algumas levam apenas azeite e sal grosso.

Outras recebem cebolas, tomates, azeitonas ou ervas.

Descobri rapidamente que a melhor estratégia era fazer exatamente como os moradores.

Entrar em uma padaria.

Pedir um pedaço.

Sentar em uma praça.

E simplesmente observar a cidade.

Não era apenas uma refeição.

Era uma experiência.

O mar da Ligúria tem uma beleza difícil de explicar

Fotografias conseguem mostrar as cores da água.

Vídeos mostram o movimento das ondas.

Mas nenhum deles consegue transmitir a sensação de caminhar por aquela costa.

Em muitos momentos você vê montanhas praticamente mergulhando no mar.

Casas coloridas parecem equilibradas sobre penhascos.

Pequenos barcos de pesca balançam lentamente nos portos.

As praias nem sempre são de areia branca.

Muitas são formadas por pedras.

Mesmo assim possuem um charme muito próprio.

A água é incrivelmente transparente.

Em alguns pontos é possível enxergar o fundo com facilidade.

Passei vários momentos apenas sentado observando o mar.

Sem música.

Sem pressa.

Sem pensar na próxima atração.

Hoje percebo que esses momentos foram tão importantes quanto qualquer monumento histórico.

As pequenas cidades da costa são inesquecíveis

Embora Gênova tenha sido a principal base da viagem, uma das maiores riquezas da Ligúria está justamente em seus pequenos vilarejos espalhados pelo litoral.

Cada cidade parece ter desenvolvido uma personalidade própria.

Algumas vivem da pesca.

Outras do turismo.

Outras ainda preservam uma atmosfera quase completamente residencial.

Em comum, todas compartilham aquela arquitetura típica da costa italiana.

  • Prédios altos e estreitos
  • Fachadas coloridas
  • Janelas com venezianas
  • Roupas secando ao vento
  • Pequenos portos
  • Escadarias que sobem pelas montanhas

Em muitos momentos tive a sensação de estar caminhando por cenários de filmes.

Mas a melhor parte era perceber que aquilo não era um cenário.

Era a vida acontecendo normalmente.

Um dia inesquecível em Cinque Terre

Entre todos os lugares visitados, Cinque Terre certamente merece um capítulo à parte.

Embora seja um dos destinos mais conhecidos da Ligúria, nada prepara você para o impacto visual da primeira chegada.

As cinco pequenas vilas parecem desafiar qualquer lógica de engenharia.

Construídas entre montanhas extremamente íngremes, elas se equilibram sobre falésias voltadas para o Mediterrâneo.

Cada uma possui características próprias.

  • Monterosso al Mare é mais ampla e tem praias maiores
  • Vernazza parece saída de um cartão-postal
  • Corniglia fica no alto da montanha
  • Manarola talvez seja uma das imagens mais famosas da Itália
  • Riomaggiore encanta logo na chegada

Passei o dia caminhando lentamente entre ruas estreitas, pequenos restaurantes e mirantes.

Mais do que tentar conhecer tudo, preferi observar.

Foi uma decisão acertada.

Descobrir lugares sem pesquisar demais

Hoje existe uma tendência de planejar absolutamente todos os minutos de uma viagem.

Reservamos restaurantes.

Compramos ingressos.

Definimos horários.

Marcamos locais no mapa.

Na Ligúria aconteceu justamente o contrário.

Em muitos dias eu simplesmente caminhava.

Sem objetivo.

Sem expectativa.

Foi assim que encontrei pequenas cafeterias escondidas.

Galerias e museus.

Mirantes praticamente vazios.

Praças silenciosas.

Mercados de bairro.

Algumas das melhores lembranças da viagem nasceram exatamente desses momentos improvisados.

Isso reforçou uma ideia que carrego até hoje.

Nem toda descoberta precisa estar no Google.

O transporte pela região facilita muito a viagem

Uma das grandes vantagens de explorar a Ligúria é a facilidade de deslocamento.

Os trens conectam praticamente todas as cidades costeiras.

As viagens costumam ser rápidas.

As estações ficam próximas dos centros históricos.

Isso permite visitar diferentes cidades sem necessidade de alugar um carro.

Na verdade, em muitos casos o carro acaba sendo um problema.

As ruas são estreitas.

O estacionamento costuma ser limitado.

E boa parte dos centros históricos restringe a circulação de veículos.

Viajar de trem tornou toda a experiência muito mais tranquila.

Caminhar foi a melhor decisão da viagem

Se existe um conselho que eu daria para qualquer pessoa que pretende conhecer a Ligúria, seria este:

Caminhe.

Muito.

Caminhe sem pressa.

Entre nas ruas menores.

Observe as fachadas.

Olhe para cima.

Sente nas praças.

Pare para tomar um café.

Converse com comerciantes.

A Ligúria recompensa quem desacelera.

Ela não é um destino para ser colecionado.

É um lugar para ser vivido.

O que mais me marcou nesses sete dias

Quando lembro dessa viagem, curiosamente não penso primeiro em monumentos famosos.

Lembro da luz refletindo nas fachadas coloridas.

Do cheiro da focaccia recém-assada.

Das pequenas cafeterias.

Dos trens costeando o mar.

Das conversas em italiano que eu mal entendia.

Das ruas estreitas.

Das janelas floridas.

Dos mercados.

Das caminhadas sem destino.

São memórias simples.

Dos deliciosos Gelatos.

Mas talvez justamente por isso sejam tão fortes.

Percebi que viajar não é apenas visitar lugares diferentes.

É permitir que um lugar transforme um pouco a forma como enxergamos o mundo.

A Ligúria me ensinou o verdadeiro significado do Slow Travel

Hoje, olhando para trás, percebo que essa viagem aconteceu antes mesmo de eu conhecer o conceito de Slow Travel.

Mesmo assim, sem saber, eu já estava colocando seus princípios em prática.

Passei mais tempo observando do que fotografando.

Preferi conhecer menos lugares, mas vivê-los melhor.

Troquei listas de atrações por caminhadas espontâneas.

Descobri que uma conversa em uma cafeteria pode marcar mais do que um museu famoso.

Aprendi que não existe obrigação de “aproveitar cada minuto”.

Às vezes, aproveitar significa justamente não fazer nada.

Essa talvez tenha sido a maior lembrança que trouxe da Ligúria.

Não uma fotografia.

Nem um souvenir.

Mas uma nova maneira de viajar.

Eu voltaria?

Sem pensar duas vezes.

Não apenas porque ainda existem inúmeros lugares da Ligúria que gostaria de conhecer.

Mas porque poucas regiões conseguiram transmitir uma sensação tão forte de autenticidade.

A Itália possui destinos mundialmente famosos.

E eles realmente merecem a fama.

Mas, se alguém me perguntasse hoje qual região recomendaria para quem deseja conhecer uma Itália mais calma, mais humana e mais próxima do cotidiano local, provavelmente minha resposta continuaria sendo a mesma.

A Ligúria.

Ela talvez não seja o destino mais famoso do país.

Mas foi, sem dúvida, um dos lugares que mais mudou minha forma de enxergar as viagens.

Conclusão

Algumas viagens terminam quando voltamos para casa.

Outras continuam nos acompanhando durante muitos anos.

Minha experiência na Ligúria pertence ao segundo grupo.

Ela me mostrou que viajar pode ser muito mais do que cumprir roteiros.

Pode ser caminhar sem rumo.

Observar detalhes.

Sentar em uma praça.

Experimentar um pão acabado de sair do forno.

Conversar com desconhecidos.

Descobrir que existe beleza justamente naquilo que não estava planejado.

Talvez seja por isso que, tantos anos depois, ainda lembro dessa viagem com tanta clareza.

Porque, no fim das contas, não foram apenas sete dias na Itália.

Foram sete dias aprendendo uma nova forma de olhar para o mundo.

FAQ

Vale a pena conhecer a Ligúria além de Cinque Terre?

Sim. Embora Cinque Terre seja o destino mais famoso, cidades como Gênova, Camogli, Sestri Levante, Santa Margherita Ligure, Portofino e Finale Ligure oferecem experiências igualmente memoráveis.

Quantos dias são ideais para conhecer a Ligúria?

Entre cinco e sete dias permitem explorar diferentes cidades com calma, sem precisar fazer uma viagem corrida.

É fácil viajar de trem pela Ligúria?

Sim. A malha ferroviária conecta praticamente todas as principais cidades da costa e é uma das formas mais práticas de viajar pela região.

A Ligúria é indicada para quem gosta de Slow Travel?

Muito. A região convida naturalmente a caminhar, observar o cotidiano local, experimentar a gastronomia e aproveitar cada cidade sem pressa.

Qual foi a maior lição dessa viagem?

Entender que nem sempre a melhor viagem é aquela que visita mais lugares. Muitas vezes ela é simplesmente aquela em que conseguimos estar verdadeiramente presentes.

Cléber Lima

Sobre o autor

Cléber Lima

Bacharel em Turismo e criador do Stradello

Bacharel em Turismo desde 2017, apaixonado por viagens, experiências autênticas e pela descoberta de lugares que costumam passar despercebidos pelos roteiros tradicionais.

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