Vale a Pena Viajar Sozinho Para o Exterior? Melhores Países Para a Barreira do Idioma
Descubra se vale a pena fazer sua primeira viagem internacional sozinho(a) e conheça países ideais para brasileiros que ainda não dominam outros idiomas.
Cléber Lima | Stradello
Existe um momento na vida de muitos viajantes em que surge uma pergunta inevitável.
Será que estou pronto(a) para fazer minha primeira viagem internacional sozinho(a)?
A resposta costuma vir acompanhada de outra preocupação.
“Mas eu não falo inglês fluentemente.”
Ou espanhol.
Ou italiano.
Ou francês.
Durante muito tempo eu também pensei que dominar outro idioma era praticamente uma obrigação para viajar sozinho.
Depois de algumas experiências internacionais, percebi que essa era uma preocupação muito maior dentro da minha cabeça do que na realidade.
Isso não significa que o idioma não seja importante.
Ele ajuda.
Facilita.
Abre portas.
Mas está longe de ser um requisito absoluto para viver uma excelente primeira viagem internacional.
Na verdade, escolher o destino certo faz muito mais diferença do que muita gente imagina.
Neste artigo quero compartilhar algumas reflexões sobre viajar sozinho para o exterior pela primeira vez, mostrar quais países costumam ser mais tranquilos para brasileiros e explicar por que, muitas vezes, o maior obstáculo não é a língua.
É o medo.
O medo da primeira viagem internacional é completamente normal
Quem nunca saiu do país costuma imaginar dezenas de problemas.
“E se eu me perder?”
“E se ninguém me entender?”
“E se acontecer algum imprevisto?”
“E se meu celular ficar sem internet?”
“E se eu errar o trem ou metrô?”
Curiosamente, essas perguntas desaparecem muito rápido depois dos primeiros dias.
Viajar sozinho ensina algo importante.
A maior parte das situações é resolvida com calma, educação e boa vontade.
Mesmo quando existe uma barreira de idioma.
O idioma importa, mas não como você imagina
Hoje existem aplicativos de tradução instantânea.
Mapas offline.
Tradutores por câmera.
Inteligência artificial.
Aplicativos de transporte.
Check-in digital.
Pagamentos por aproximação.
Tudo isso reduziu muito a dificuldade de viajar.
Há vinte anos, depender apenas do próprio inglês fazia muito mais sentido.
Hoje, a experiência é completamente diferente.
Ainda assim, escolher um destino onde a comunicação seja mais simples ajuda bastante na primeira experiência internacional.
Antes de escolher o país, escolha o tipo de viagem
Esse talvez seja o conselho mais importante deste artigo.
Muita gente escolhe um destino apenas porque é famoso.
Mas esquece de pensar no próprio perfil.
Você prefere natureza ou cidades?
Quer caminhar bastante?
Pretende usar transporte público?
Vai trabalhar remotamente durante a viagem?
Gosta de museus?
Prefere praias?
Quer conhecer pessoas ou busca tranquilidade?
Responder essas perguntas ajuda muito mais do que simplesmente procurar “os países mais baratos da Europa”.
Os melhores países para a primeira viagem internacional sozinho
Não existe um único destino ideal.
Mas alguns países costumam oferecer uma combinação muito interessante de segurança, infraestrutura, facilidade de deslocamento e adaptação para brasileiros.
1. Portugal 🇵🇹
Provavelmente é o destino mais fácil para começar.
O idioma elimina grande parte da ansiedade.
Além disso:
- excelente transporte público
- cidades caminháveis
- ótima gastronomia
- segurança relativamente alta
- boa oferta de hostels e hotéis
- facilidade para brasileiros
Lisboa, Porto, Braga, Coimbra e Aveiro costumam ser excelentes portas de entrada para quem nunca saiu do Brasil.
2. Uruguai 🇺🇾
Embora o idioma oficial seja o espanhol, muitos uruguaios compreendem bem o português.
Montevidéu transmite uma sensação de calma rara nas grandes capitais.
É um país organizado.
Seguro.
Fácil de explorar caminhando.
Ideal para quem gosta de cafés, gastronomia, museus, praias urbanas e um ritmo mais lento.
Para quem aprecia Slow Travel, talvez seja um dos melhores primeiros destinos da América do Sul.
3. Argentina 🇦🇷
Buenos Aires continua sendo uma excelente escolha para brasileiros.
Mesmo sem dominar o espanhol, a comunicação costuma acontecer naturalmente.
Além disso:
- voos frequentes
- boa gastronomia
- excelente transporte
- bairros tranquilos
- muitos turistas brasileiros
É um ótimo lugar para ganhar confiança antes de viagens mais longas.
4. Chile 🇨🇱
Santiago reúne organização, transporte eficiente e excelente infraestrutura.
Também permite realizar bate-voltas para vinícolas, montanhas e pequenas cidades.
Quem gosta de natureza encontra um ótimo equilíbrio entre ambiente urbano e paisagens incríveis.
5. Itália 🇮🇹
Pode parecer uma escolha ousada.
Mas, curiosamente, muitos brasileiros relatam uma adaptação muito rápida.
Os italianos costumam ser receptivos.
Gesticulam bastante.
Tentam ajudar.
E existe uma enorme identificação cultural.
Além disso, boa parte dos restaurantes, hotéis e atrações turísticas já está acostumada a receber visitantes do mundo inteiro.
Minha própria experiência na Ligúria reforçou essa impressão.
Mesmo quando o idioma era limitado, a comunicação acontecia naturalmente através da simpatia e da disposição das pessoas em ajudar.
6. Espanha 🇪🇸
O espanhol costuma ser mais fácil para brasileiros compreenderem do que imaginam.
Barcelona, Sevilha, Valência e Madri possuem excelente estrutura turística.
Além disso, caminhar pelas cidades espanholas costuma ser uma experiência extremamente agradável.
Especialmente para quem gosta de descobrir bairros históricos sem se preocupar com tempo.
7. Japão 🇯🇵 (sim, ele aparece nesta lista)
Pode parecer estranho incluir o Japão.
Mas existe um motivo.
Apesar da enorme diferença cultural e do idioma completamente diferente, o país possui uma das melhores infraestruturas turísticas do mundo.
Sinalização extremamente organizada.
Transporte impecável.
Segurança altíssima.
Aplicativos funcionam muito bem.
As pessoas costumam ajudar bastante.
O idioma existe como desafio.
Mas a organização do país frequentemente compensa isso.
O que eu evitaria como primeira viagem sozinho
Não porque sejam destinos ruins.
Mas porque podem exigir um pouco mais de experiência.
Alguns exemplos:
- Índia
- Marrocos
- Egito
- Israel
- grandes mochilões por vários países de uma só vez
- viagens extremamente curtas tentando conhecer cinco cidades em seis dias
Entre alguns outros destinos, que é necessário um pouco mais de experiência para visitá-los.
Esses roteiros exigem mais planejamento e adaptação.
Depois da primeira experiência internacional, tudo tende a ficar mais fácil.
O maior aprendizado acontece quando você resolve pequenos problemas sozinho
A primeira viagem internacional tem um efeito curioso.
Ela aumenta muito sua confiança.
Você aprende a:
- encontrar plataformas de trem e metrô
- pedir informações
- fazer check-in
- resolver pequenos imprevistos
- pedir comida
- usar transporte público
Nenhuma dessas tarefas parece extraordinária.
Mas, quando você percebe que conseguiu fazer tudo sozinho em outro país, algo muda.
Você entende que consegue viajar praticamente para qualquer lugar do mundo.
Viajar sozinho para o exterior é mais fácil do que parece
Se existe uma coisa que aprendi depois da minha primeira viagem internacional sozinho é que quase todos os medos desaparecem depois do primeiro ou segundo dia.
Não porque tudo sai perfeito.
Mas porque você percebe que consegue resolver os pequenos desafios que surgem.
Compra uma passagem de trem.
Encontra o hotel.
Pede um café.
Pergunta uma informação.
Usa o metrô.
Errar também faz parte.
Aliás, faz muito mais parte do que imaginamos.
Até hoje, em viagens internacionais, ainda entro na estação errada de vez em quando.
Ainda consulto mapas.
Ainda confirmo horários.
E isso é absolutamente normal.
Não existe um viajante experiente que nunca tenha se perdido.
Existe apenas quem aprendeu que isso não é um problema.
A tecnologia hoje trabalha a seu favor
Se você está planejando sua primeira viagem internacional sozinho(a), provavelmente terá ferramentas que gerações anteriores simplesmente não tinham.
Hoje você pode usar:
- Google Maps offline
- Google Tradutor com câmera
- ChatGPT para montar roteiros
- aplicativos de metrô
- Uber
- aplicativos oficiais de transporte
- mapas das estações
- reserva digital de hotéis
- check-in online
- cartões internacionais por aproximação
- Checkout automático nos mercados, onde muitas vezes você nem precisa conversar com as atendentes
Tudo isso reduz muito a insegurança.
Na prática, o celular se tornou uma espécie de companheiro de viagem.
Ainda assim, vale lembrar uma dica importante.
Tenha sempre um plano B.
Baixe mapas offline.
Anote o endereço do hotel.
Guarde uma cópia digital do passaporte (quando necessário) e dos documentos.
Pequenos cuidados aumentam muito sua tranquilidade.
O idioma deixa de ser uma barreira quando você muda sua postura
Existe algo curioso sobre viajar.
Você percebe rapidamente que comunicação vai muito além das palavras.
Um sorriso ajuda.
Gentileza ajuda.
Paciência ajuda.
Mostrar no mapa ajuda.
Usar gestos ajuda.
Em muitos lugares, as pessoas percebem que você é turista e fazem questão de colaborar.
Nem sempre a conversa será perfeita.
Mas quase sempre será suficiente.
Essa talvez tenha sido uma das maiores surpresas das minhas viagens.
Eu esperava encontrar barreiras.
Encontrei pessoas dispostas a ajudar.
Vale a pena aprender inglês antes?
Sim.
Sempre vale.
Aprender outro idioma amplia possibilidades.
Facilita conversas.
Permite compreender melhor a cultura local.
Abre portas para experiências mais profundas.
Mas existe uma diferença importante.
Aprender inglês é um objetivo excelente. Esperar ficar fluente para só então viajar pode significar adiar um sonho por muitos anos.
Você pode aprender viajando.
Aliás, essa costuma ser uma das formas mais eficientes de praticar.
Mesmo conhecendo apenas frases básicas, o contato diário acelera muito o aprendizado.
Como escolher seu primeiro destino internacional
Ao invés de procurar apenas o país mais barato, tente responder algumas perguntas.
Quero descansar ou conhecer muitos lugares?
Quem busca descanso provavelmente aproveitará mais permanecendo vários dias na mesma cidade.
Quem prefere explorar bastante pode optar por um roteiro com duas ou três cidades próximas.
Quero natureza ou ambiente urbano?
Isso muda completamente a experiência.
Algumas pessoas voltam apaixonadas por pequenas cidades.
Outras descobrem que adoram grandes capitais.
Não existe resposta certa.
Existe apenas o estilo que combina mais com você.
Vou viajar sozinho porque gosto da minha companhia ou porque quero conhecer pessoas?
Essa pergunta também influencia muito.
Hostels favorecem interação.
Hotéis costumam oferecer mais privacidade.
Pequenas cidades favorecem tranquilidade.
Grandes capitais facilitam conhecer outros viajantes.
Um conselho para quem é introvertido
Se você, assim como eu, também é mais reservado, talvez imagine que viajar sozinho para outro país seja ainda mais difícil.
Minha experiência foi exatamente o contrário.
Sem companhia, você passa a observar mais.
Caminha no próprio ritmo.
Escolhe onde ficar.
Entra em uma cafeteria porque realmente teve vontade.
Senta em um banco de praça sem precisar justificar.
Lê um livro.
Fotografa com calma.
Faz pausas.
Para pessoas introvertidas, isso costuma ser extremamente confortável.
Você não precisa conversar o tempo todo.
Também não precisa preencher todos os silêncios.
Viajar sozinho permite justamente respeitar o próprio ritmo.
Erros que eu evitaria na primeira viagem internacional
Depois de conversar com muitos viajantes, alguns erros aparecem com frequência.
- Tentar conhecer muitos países na mesma viagem
- Fazer roteiros com deslocamentos diários
- Escolher voos com horários muito apertados
- Não contratar seguro viagem quando necessário
- Levar dinheiro em espécie insuficiente
- Não pesquisar como funciona o transporte local
- Viajar com expectativas irreais
Quanto mais simples for sua primeira experiência, maior será a chance de ela se tornar inesquecível pelos motivos certos.
Então… vale a pena viajar sozinho para o exterior pela primeira vez?
Na minha opinião, vale muito.
Muito mais do que eu imaginava antes da primeira viagem.
Ela amplia sua confiança.
Mostra que o mundo é muito mais acessível do que parece.
Ensina a resolver problemas.
Aumenta sua independência.
Faz você perceber que consegue se adaptar muito melhor do que imaginava.
Mais do que conhecer outro país, você acaba conhecendo uma nova versão de si mesmo.
Talvez essa seja a verdadeira transformação das viagens.
Os lugares mudam nossas memórias.
Mas são as experiências que mudam quem nós somos.
Conclusão
Se você está esperando o momento perfeito para fazer sua primeira viagem internacional sozinho, talvez ele nunca exista.
Sempre haverá algum receio.
Alguma dúvida.
Alguma insegurança.
Mas existe algo que normalmente acontece com quem dá esse primeiro passo.
A segunda viagem já parece muito mais simples.
Depois da terceira, viajar para outro país começa a parecer tão natural quanto visitar outro estado brasileiro.
Não deixe que a barreira do idioma impeça você de viver experiências transformadoras.
Escolha um destino adequado ao seu perfil.
Planeje com calma.
Viaje no seu ritmo.
E permita-se descobrir que o mundo costuma ser muito mais acolhedor do que imaginamos.
FAQ
Preciso falar inglês para viajar sozinho ao exterior?
Não. Embora o inglês ajude bastante, hoje aplicativos de tradução e a infraestrutura turística tornam a comunicação muito mais fácil.
Qual o melhor país para a primeira viagem internacional sozinho?
Portugal costuma ser a opção mais confortável para brasileiros, seguido por Uruguai, Argentina, Chile, Espanha e Itália.
É seguro viajar sozinho pela primeira vez?
Escolhendo destinos conhecidos pela boa infraestrutura e tomando cuidados básicos, viajar sozinho pode ser uma experiência bastante segura.
Vale mais a pena Europa ou América do Sul?
Para quem nunca viajou ao exterior, a América do Sul costuma oferecer menor custo e adaptação mais rápida. A Europa amplia as possibilidades, mas normalmente exige um orçamento maior.
O que mais assusta na primeira viagem?
Normalmente é o desconhecido. Depois dos primeiros dias, a maioria dos viajantes percebe que consegue resolver praticamente todas as situações do dia a dia.
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Sobre o autor
Cléber Lima
Bacharel em Turismo e criador do Stradello
Bacharel em Turismo desde 2017, apaixonado por viagens, experiências autênticas e pela descoberta de lugares que costumam passar despercebidos pelos roteiros tradicionais.
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